A má postura e o uso frequente e ininterrupto de PCs e outros gadgets podem causar a chamada "Síndrome do Computador". Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, esse problema atinge 30% das crianças e 75% dos adultos e é caracterizada pela visão embaçada, dor de cabeça e o olho seco, causados pelo esforço visual e diminuição das piscadas.
Para se ter uma ideia, o número de piscadas por minuto em uma situação corriqueira é de 20 vezes, já em frente ao computador esse número é reduzido para 6 ou 7 vezes.
As principais recomendações do médico para evitar a Síndrome do Computador são:
Posicionar o monitor 10° a 20° abaixo do nível dos olhos;
Manter a distância de 60 cm da tela do monitor;
Manter a tela do monitor sempre limpa;
Dar preferência a monitores LCD, que são antirreflexivos, e de tamanho mínimo de 17 polegadas. Isso porque, "quanto menor a tela, maior é o esforço visual para perto e o estresse acomodativo. Isso faz com que um monitor LCD de 15 polegadas canse tanto quanto um monitor de tubo, embora a tela LCD seja antirreflexiva", afirma o médico. "Quanto menor a idade de uma criança, maior a chance de ser hipermétrope. Por isso, quanto mais nova a criança, maior o esforço visual para enxergar. Não quer dizer que o uso da tecnologia pelos pequenos seja proibitivo, entretanto, as mães devem estar atentas às pausas para que as crianças descansem os olhos";
O tempo máximo de uso direto indicado pelo oftalmologista é de 2 horas. A cada hora, adultos devem descansar de 5 a 10 minutos e crianças de 15 a 30 minutos. Vale ressaltar que, "entre as crianças, o uso do computador por mais de 2 horas também pode causar a miopia acomodativa, uma dificuldade transitória de enxergar à distância";
Regular sempre a tela com o máximo de contraste e não de luminosidade;
Evitar excesso de luminosidade das lâmpadas e luz natural, pois as pupilas se contraem e geram cansaço visual;
Lembrar-se de piscar voluntariamente quando estiver usando o PC;
Incluir semente de linhaça e peixes gordurosos na dieta também ajudam, porque são ricos em Ômega 3. "Por isso, reforçam a camada gordurosa da lágrima que diminui a evaporação da camada aquosa. Quanto menor a evaporação da lágrima menor o desconforto no computador", afirma o oftalmologista.
Outros problemas
O uso incorreto de tecnologias comprometem o desenvolvimento da visão de crianças, segundo pesquisa realizada pelo oftalmologista. Para a análise foram usados os prontuários de 835 jovens, com idades entre 6 e 14 anos, atendidas nos últimos 24 meses pelo Instituto Penido Burnier, em Campinas.
Do grupo analisado, 8% das crianças foram diagnosticadas com ambliopia - deficiência no desenvolvimento normal do sistema visual, também conhecida como "olho preguiçoso". Esse resultado é o dobro, se comparado ao índice de nacional de incidência de ambliopia, que é de 4%.
De acordo com o especialista, uma das principais causas que acarreta nesse problema é compartilhar o computador entre pais e crianças. Isso se deve ao ajuste da tela que, ao ser "arrumada" para adultos contribui com a má postura e, consequentemente, com que cada olho receba diferente quantidade de estímulo visual.
As crianças diagnosticadas com olho preguiçoso reclamaram de dor de cabeça, apresentaram queda no rendimento escolar e passaram a evitar atividades esportivas como os jogos em campo.
O tratamento para a ambliopia consiste em "esconder" o olho de melhor visão para estimular o desenvolvimento do outro. De acordo com o médico, se não for realizado o tratamento até os 8 anos, o problema se torna irreparável, o que leva à cegueira funcional do olho mais fraco.
Até os 8 anos, os olhos ainda estão em desenvolvimento e, segundo Queiroz Neto, precisam receber o mesmo estímulo neste período. “A primeira consulta com um oftalmologista deve ser feita aos 3 anos", diz o especialista, ressaltando que a ambliopia também pode estar relacionada ao estrabismo ou ao olho torto e à diferença de grau entre os olhos (também conhecida como anisometropia).
O uso ininterrupto também pode causar miopia. Outro estudo realizado pelo médico com 360 crianças entre 9 e 13 anos, que passavam 6 horas ininterruptas usando computador ou videogame, apontou que 21% delas eram míopes (quando a visão de longe fica desfocada) - contra os 12% apontados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Fonte: IDGNOW
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